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Encontro



IV Encontro “Tradução dos Clássicos no Brasil”

04 de Maio de 2018 | 19h às 21h

Tradução & Emulação
Coordenação: Marcelo Tápia

Sexta-feira e sábado, dias 4 e 5 de maio (sexta-feira, das 19h às 21h, e sábado, das 9h às 20h30)

Têm crescido, atualmente, as propostas de tradução que buscam imitar a versificação e a dicção clássicas, bem como suas possibilidades de performance. Também se torna cada vez mais evidente a prática da apropriação, em obras contemporâneas, de gêneros e estéticas canônicas.
A edição de 2018 do Encontro “Tradução dos Clássicos no Brasil” propõe a exploração desse tema tanto no plano da reflexão teórica como no da prática da tradução e da emulação de poéticas tradicionais.


PROGRAMAÇÃO

 

4/5, SEXTA-FEIRA – das 18h30 às 21h

 

18h30 – Recepção de participantes

19h – Abertura, por Marcelo Tápia (CGA/USP)

19h15 – Palestra

Poesia: errante navegante

Por Susanna Busato (Unesp)

 

No mito da passante de Baudelaire lemos a poesia, cuja marca se faz representar pelo seu ser efêmero e eterno, a deixar na memória do mundo seu rastro e sua presença. É essa que “chega e que passa”, essa memória fugidia, que abre o intervalo entre nós e o mundo; o que é tradição está sempre lá quando o poema lança seu olhar para trás e mira o verso adiante que recomeça a aventura. Esse gesto seria a marca da presença do que buscamos: o eterno no ilusório do tempo que passa. Há sempre elementos da tradição no texto poético que o olho da poesia faz entrever no espaço intervalar entre um cá e um lá.

 

20h – Palestra e lançamento de livro

Ressignificação de Rufino

Por Rodrigo Bravo (GPOEX-USP)

 

Em virtude da publicação da obra Um livro para Rufino (Ed. Córrego/Série Neûron), a palestra tem por objetivo oferecer uma visão geral acerca dos critérios metodológicos e estéticos que guiaram a tradução para a língua portuguesa dos 39 epigramas do poeta grego Rufino (sécs. I-IV), sua obra completa, constantes do livro quinto da Antologia grega. Além da exposição teórica, a palestra contará com a leitura performática dos poemas traduzidos e em seu idioma original. Após a apresentação, será realizado o lançamento do livro.

 

 


5/5, SÁBADO – das 9h às 20h

9h – Mesa-redonda 1: Adriano Aprigliano (USP), Adriane Duarte (USP), Paulo Martins (USP)

 

Minha proposta para uma nova Eneida em versos

Por Adriano Aprigliano

 

Trabalho atualmente numa nova tradução da Eneida de Virgílio (I a.C.) a que tenho dado o nome de NOVA ENEIDA EM VERSOS. Essa tradução se baseia em dois princípios que considero fundamentais na épica antiga, o verso e o tom da linguagem. Pelo hexâmetro proponho versos assinartetos de sete sílabas poéticas e acentuação que varia no entorno de padrões de intensidade ternários; pelo tom, a manipulação do vocabulário, da sonoridade e da sintaxe do português para criar a condição de um falar irreal, mas que pode ser a língua boa para falar dos antigos heróis e para lhes dar voz. Nesta breve exposição, recitarei e comentarei alguns excertos deste trabalho.

 

Memorial: a Ilíada residual de Alice Oswald

Por Adriane Duarte

 

Resumo: Em Memorial (2011), a poeta inglesa Alice Oswald relê a Ilíada da perspectiva dos guerreiros que morrem no poema homérico. Mantendo proximidade com o texto grego, a autora dá destaque às vítimas da guerra e da ira de Aquiles, celebrando sua memória, diluída ao longo da epopeia. Interessa-me apontar as estratégias de que ela se vale para composição de seu poema, que perpassam a tradução, e os efeitos que obtém.

 

Elegias de Propércio a Galo: tradução de efeitos do gênero na segunda geração elegíaca e sua leitura hoje no Brasil

Por Paulo Martins

 

Por muito tempo foi discutido pelos filólogos quem seria o nome Gallus que aparece em cinco elegias do Monobiblos de Propércio. Recentemente propus que ao invés de entendermos que há referência a mais de um “Galo” em Propércio, deveríamos levar em consideração ser uma citação unitária, isto é, o nome apontaria exclusivamente para Cornélio Galo, o mesmo da décima Bucólica de Virgílio, poeta elegíaco êmulo de Propércio, um dos poetae noui. Tal referência metapoética faz muita diferença na maneira que devemos assumir a tradução desses poemas em português já que devem ser lidos como “traduções” do gênero elegíaco entre duas gerações de poetas latinos.

 

10h45 – Intervalo

 

11h – Mesa-redonda 2: Renata Cazarini (UFF), Jaa Torrano (USP), Brunno V. G. Vieira (Unesp)

 

O texto clássico como Survival Machine
Por Renata Cazarini

 

Tal como os seres vivos, os textos clássicos são “survival machines” – expressão de Richard Dawkins, autor de The Selfish Gene (1976). Apesar do título da obra, o etólogo identifica, na seleção natural, o altruísmo recíproco em favor da sobrevivência genética, ideia que condiz com o texto clássico e suas variações, sejam traduções ou adaptações. Numa analogia com a biologia evolutiva, diz-se que cada um dos lados confere energia vital ao outro: os clássicos são replicadores de si e obras que deles “descendem” são replicantes de elementos mínimos caracterizadores, como marcadores genéticos, desses textos a que chamamos “canônicos”.

Traduzindo Bakxai por As Bacas

Por Jaa Torrano

 

Refletindo sobre a experiência de traduzir duas vezes a tragédia BAKXAI de Eurípides com o título “Bacas”, verifiquei que o ato de traduzir tem uma quádrupla referência e, portanto, poderíamos dizer que o esforço de traduzir consiste numa quádrupla emulação: com o texto original, com os estudiosos e comentadores do texto original, com os demais tradutores do mesmo texto original e – the last but not least – consigo mesmo. Qual a natureza de cada uma dessas quatro referências, e qual a interligação, senão a interação, entre elas?

 

(Des)comedimentos na emulação do verso cômico latino: Plauto e Terêncio retraduzidos

Por Brunno V. G. Vieira

 

A adoção de uma forma métrica em português, ainda que essa, já no original, se esboçasse bastante livre, induziu os tradutores, Leandro Dorval Cardoso (Anfitrião, de Plauto) e Rodrigo Tadeu Gonçalves (Adelfos, de Terêncio), e a língua de que fazem uso a se esmerarem na acolhida, não apenas do conteúdo das comédias, mas de sua engrenagem verbal. O efeito gerado por essa potencialização da forma receptora, que é poético por excelência, faz toda a diferença desses dois empreendimentos tradutórios, pelo fato de eles exercitarem no cerne de seu sistema uma experiência formal de linguagem. Esta fala discutirá esses experimentos e exemplificará com trechos dessas duas traduções ainda inéditas.

 

12h45 – Intervalo

 

14h – Palestra

Electra e Helena no sertão do Piauí (segunda versão)

Por Maria Cecília de Miranda Nogueira Coelho (UFMG)

Esta palestra, no âmbito dos estudos de recepção dos clássicos, é dedicada a releituras brasileiras dos mitos de Electra e Helena, respectivamente: a tragédia Lazzaro (1948) e a comédia A nova Helena (1957), de Francisco Pereira da Silva (1918-1985).   A obra dramática completa desse piauiense foi publicada recentemente, permitindo o contato com textos até então inéditos, embora não fossem desconhecidos no ambiente teatral brasileiro; Lazzaro recebeu o prêmio “Revelação de autor”, da ABCT, em 1952. 

 

14h45 – Mesa-redonda 3:  Ana Claudia Ribeiro (Unifesp), Érico Nogueira (Unifesp)

 

Jogos de palavras na Utopia de Thomas More

Por Ana Claudia Ribeiro

 

Tradutores da Utopia como Marie Delcourt, André Prévost, George Logan e Clarence Miller assinalam a “linguagem variada” usada por More. Ainda que a Utopia contenha alguns trechos em linguagem simples, outros apresentam uma sofisticada construção; suas figuras de som (“rimas e ritmos”, nas palavras de Prévost) criam jogos de palavras que não apenas imprimem uma identidade estilística, mas também veiculam uma ideia de eloquência que, para os humanistas, só poderia nascer da combinação harmoniosa entre sabedoria e estilo. Interessa a esta comunicação mostrar exemplos de jogos de palavras presentes na Utopia, discutindo suas possíveis traduções e implicações semânticas. 

 

Imitando Tácito: A Conjuração de Pisão e Contra um bicho da terra tão pequeno

Por Érico Nogueira

 

Nesta comunicação, pretendo mostrar brevemente como o episódio da Conjuração de Pisão (Tácito, Anais XV 47-74) serviu de modelo para minha novela Contra um bicho da terra tão pequeno (Filocalia, 2018).

 

15h45 – Intervalo

 

16h – Mesa-redonda 4: Roberto Mário Schramm Jr. (UFSC), Rafael Brunhara (UFRGS), Alexandre Pinheiro Hasegawa (USP)

 

A tradução inconsútil

Por Roberto Mário Schramm Jr.

 

Minha fala pretende reencenar os dilemas clássicos da tradução poética a partir do duplo movimento da emulação: por um lado a ambição de transformar o original, de assimilar suas qualidades, de superá-las pela potência do texto traduzido, e, por outro lado, de zelar pela permanência do original, de reafirmar seus significados e de estar a ele submetido.

 

Aspectos estéticos da Lírica Grega Arcaica em Tradução

Por Rafael Brunhara

 

Com exceções notáveis, é prática relativamente recente no Brasil a tradução poética dos fragmentos da chamada lírica grega arcaica - termo que, lato sensu, engloba gêneros poéticos não épicos praticados no mundo grego sobretudo entre meados do séc. VII e V a.C. A partir de exemplos, pretendo examinar como estas traduções enfrentam o problema da transmissão acidentada do corpus lírico e logram reproduzir suas características.

A imitação de Antônio Ferreira e a tradução parafrástica de Elpino Duriense para o carm. 1.3 de Horácio

Por Alexandre Pinheiro Hasegawa

 

Elpino Duriense publicou em 1807 a tradução das Odes de Horácio. No terceiro volume de suas poesias, porém, publicado em 1817, encontram-se duas novas traduções de odes horacianas (1.3 e 2.14), sob o título de “tradução parafrástica”. Tratarei apenas das traduções do carm. 1.3, das quais a primeira Elpino caracteriza como literal. Depois confronto a tradução parafrástica com a Ode 1.6 de Antônio Ferreira (séc. XVI), emulação do carm. 1.3 e modelo para Elpino.

 

17h45 – Intervalo

 

18h – Mesa-redonda 5: Robert de Brose (UFC), Leonardo Antunes (UFRGS) e Guilherme Gontijo Flores (UFPR)

 

Safo TropiGal: ter ou comer?

Por Robert de Brose

 

Essa comunicação pretende analisar a recepção de Safo por seus principais tradutores brasileiros e tecer algumas considerações acerca da dialética tradutória estabelecida entre os que servem a, e os que se servem da, poeta de Lesbos.  

 

Traduzindo e musicando o Édipo Tirano

Por Leonardo Antunes

 

Algumas considerações a respeito do processo de tradução da peça de Sófocles com vistas a uma performance em que o coro, de fato, cante os trechos corais.


Do fragmento ao mantra: alguns experimentos com poesia grega arcaica

Por Guilherme Gontijo Flores

 

A vivência contemporânea do fragmento convida a uma abertura peculiar da poética. Um fragmento de Safo pode ser aproximado, pelo acaso de sua transmissão, à imagética do haikai; duas linhas amorosas de Anacreonte podem ser uma fulguração do amor, etc. Diante dessa abertura, é possível pensar que o fragmento expõe a condição do anacronismo de toda leitura; no limite, seu convite implica uma nova poética performativa. Pretendo apresentar algumas soluções que venho desenvolvendo nos últimos anos, com Safo e Anacreonte. 

19h30 – Encerramento


Apresentação do Grupo Apolo de Danças Gregas.


Esta atividade poderá contar como crédito de horas para o Programa Formativo para Tradutores Literários.

Grátis



 

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Agendamento de visita (grupos): 55 11 3672-1391 | 3868-4128
Visitação: de terça-feira a domingo, das 10h às 18h.
Atividades culturais e educativas: de terça a sexta-feira, das 19h às 21h, e aos finais de semana, das 10h às 19h
(consultar programação).

CASA GUILHERME DE ALMEIDA
CENTRO DE ESTUDOS DE TRADUÇÃO LITERÁRIA

55 11 3673-1883 | 3803-8525 | contato@casaguilhermedealmeida.org.br
Museu: R. Macapá, 187 - Perdizes | CEP 01251-080 | São Paulo
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