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Memorial: a Ilíada residual de Alice Oswald

Adriane da Silva Duarte [1]

 

Em Memorial (2011), a poeta inglesa Alice Oswald relê a Ilíada da perspectiva dos guerreiros que morrem no poema homérico, dando destaque às vítimas da guerra. Com isso, celebra sua memória, diluída ao longo da epopeia, em que a ira de Aquiles pontifica. Interessa-me aqui apontar as estratégias de que ela se vale para composição de seu poema, que tangenciam a tradução, e os efeitos que obtém, bem como a relação que estabelece com o épico grego. Encerro esse artigo com uma tradução de suas “estrofes” iniciais e final – o poema ainda está inédito em português.

Memorial se insere na categoria dos poemas longos, que têm fôlego épico, mas natureza lírica – nesse sentido seria interessante, especialmente para contextualizá-lo ao leitor brasileiro, aproximá-lo de A invenção de Orfeu, de Jorge de Lima. São oitenta e uma páginas no total, assim descritas por C. Hahnemann:

Memorial (2011) é um poema contínuo sem pontuação que pode ser dividido em três partes: a primeira (Seção A, 1-8) consiste em uma litania de nomes de 213 homens (e um cavalo, Pédaso) mortos no decorrer da Ilíada; a segunda (Seção B, 9-69) repete os nomes das vítimas, cerca de metade deles no mesmo formato de lista apresentada na Seção A e a outra metade intercalada em  vinhetas biográficas, entremeadas a símiles inspiradas na Ilíada; a terceira (Seção C, 70-81) traz uma sequência ininterrupta de onze símiles. (2014,: p. 1-2, minha tradução).

Note-se que tanto na Seção A quanto na B, os nomes surgem na ordem em que ocorrem as mortes no poema de Homero.

Assim, Alice Oswald, que destaca em sua biografia ter cursado Clássicos em Oxford, promove uma releitura da Ilíada a partir daqueles que tombaram no cerco a Troia. O resultado é uma Ilíada condensada, ou residual, em que a trama original, ligada à ira de Aquiles e seus desdobramentos, causa última de 99% dessas mortes (a exceção é a de Protesilau, a primeira do poema e a única que ocorre no ano um da guerra), praticamente desaparece diante da evocação dos mortos. O efeito cumulativo dessas perdas postas em sequência é tremendo, magnificando a violência do conflito. O poema homérico já celebrava as vítimas, lembro, anotando-lhes o nome, aos quais, por vezes, é acrescido um breve perfil biográfico, como sabem bem os seus leitores. As menções, no entanto, dissolvem-se em meio à trama principal, em que se contrapõe a elite dos guerreiros gregos e troianos, muitos deles, agentes do morticínio.

Em Memorial, cujo subtítulo é “uma escavação da Ilíada” (an excavation of the Iliad), Oswald opera de fato uma exumação desses mortos, já que o foco está nas vítimas e na forma como experimentam a morte. Cala-se sobre os vencedores (os que sobrevivem, os que matam e, em grande medida, fazem jus à glória do canto). Assim, Aquiles é relegado à margem, sendo citado apenas três vezes contra cinco menções a Heitor e sete a Agamemnon – é certo que Heitor também perece, mas a sua morte é a derradeira do poema, se não computarmos os doze jovens troianos imolados no túmulo de Pátroclo, a que Oswald não se refere.  O silêncio que cerca o nome de Aquiles é mais simbólico no que concerne a essa última morte, em que se fala do derrotado, não do vencedor – da mesma forma não se enuncia o matador de Sarpédon ou de Pátroclo. Os deuses também estão de todo ausentes, fazendo da morte um assunto puramente humano.

Quando confrontado com as passagens homéricas, a diferença fica ainda mais evidente. Vejamos a Ilíada, IV, 457-462, na tradução de Carlos Alberto Nunes, em que se narra a morte do troiano Equepolo:

Foi o primeiro a prostrar um dos Troas guerreiros Antíloco,

Que, na vanguarda, a Equepolo matou, de Talísio nascido.

Na crista do elmo ondulante certeira pancada lhe assesta,

Que fez o crânio partir-se-lhe, entrando até o cérebro a ponta

Aênea da lança potente; cobriram-lhe as trevas os olhos.

Como se efunde uma torre, tombou na batalha terrível.

A ênfase recai sobre Antíloco, cujo nome é referido em primeiro lugar, e sua ação certeira. De Equepolo, a vítima, é dada a filiação e descrito o momento da morte.  Oswald apresenta assim a cena (para tradução, ver excerto do poema ao final desse artigo):

 

ECHEPOLUS a perfect fighter

Always ahead of his men

Known for his cold seed-like concentration

Moving out and out among the spears

Died at the hands of Antilochus

You can see the hole in the helmet just under the ridge

Where the point of the blade passed through

And stuck in his forehead

Letting the darkness leak down over his eyes

Apesar de, nesse caso, o guerreiro que mata estar mencionado, a figura principal é a vítima, cujas qualidades, como a liderança (Always ahead of his men) e o autocontrole (Known for his cold seed-like concentration), são destacadas. Mais importante, se Homero diz que Antíloco matou (πρῶτος δ᾽ Ἀντίλοχος Τρώων ἕλεν ἄνδρα κορυστὴν/ἐσθλὸν ἐνὶ προμάχοισι Θαλυσιάδην Ἐχέπωλον); Oswald, que Equepolo morreu (Died at the hands of Antilochus), invertendo a sintaxe.

Ainda mais eloquente é o caso de Heitor, cujo enfrentamento com Aquiles é o clímax da Ilíada. Segundo Oswald ele “morreu como qualquer outro” (And Hector died like everyone else), apesar da sequência, que encerra a seção mais longa e central do poema (B), deixar claro que ele não era um qualquer:


And Hector died like everyone else

He was in charge of the Trojans

But a spear found out the little patch of white

Between his collarbone and his throat

Just exactly where a man’s soul sits

Waiting for the mouth to open

He always knew it would happen

He who was so boastful and anxious

And used nip home deafened by weapons

To stand in full armour in the doorway

Like a man rushing in leaving his motorbike running

All women loved him

His wife was Andromache

One day he looked at her quietly

He said I know what will happen

And an image stared at him of himself dead

And her in Argos weaving for some foreign woman

He blinked and went back to his work

Hector loved Andromache

But in the end he let her face slide from his mind

He came back to her sightless

Strengthless expressionless

Asking only to be washed and burned

And his bones wrapped in soft cloths

And returned to the ground


Veja-se, para contraste, a passagem homérica, da qual apresento um recorte, por ser demasiado longa, que se centra em Aquiles (Ilíada, XXII, 317-363, na tradução de Carlos Alberto Nunes):

Tal como Vésper, a mais resplendente de quantas estrelas

se alçam no céu, majestosas, no escuro da noite divina:

do mesmo modo fulgura a hasta longa de ponta aguçada

na mão de Aquiles, que a Heitor infligir fatal dano procura,

investigando no corpo donoso um lugar descoberto.

Todos os membros, porém, envolvidos se achavam na bela

e refulgente armadura espoliada de Pátroclo exímio.

Via-se, apenas, a parte em que do ombro separa a clavícula

o tenro colo, a garganta onde o ataque é funesto para alma.

Quando contra ele avança, o Pelida, aí lhe enterra a hasta longa,

atravessando-lhe a ponta de bronze o pescoço macio.

Deixa-lhe intacta a faringe, contudo, a arma longa de freixo,

para que a Heitor ainda fosse possível falar ao imigo.

Ei-lo que tomba na poeira [...]

[saltam-se os versos 330 a 360, em que Aquiles e Heitor dialogam].

Pós ter falado, cobriu-o com o manto de trevas a Morte,

e a alma, dos membros saindo, para o Hades baixou, lastimando

a mocidade e o vigor que perdia nessa hora funesta.


Note-se a subversão completa do espírito épico, do feito heroico, operada por Oswald. Memorial não é épico, é antes lírico: canto/lamento fúnebre, que a autora, no prefácio, reconhece como sua inspiração:

Essa versão, na tentativa de reter a enargeia do poema (i.e, da Ilíada), suprime sua narrativa [...]. O que resta é um poema bipolar feito de símiles e de breves biografias de soldados, ambas derivadas (eu penso) de fontes poéticas distintas: o símile da lírica pastoral [...]; as biografias, da tradição grega de poesia de lamento (i.e., trenética). (OSWALD, 2011). [2]

O expurgo da narrativa da ira e a concentração nas mortes produz o efeito do catálogo, um recurso narrativo da poesia épica de cunho oral, tornado depois tópico no gênero. Cabe, contudo, distinguir lista e catálogo, ambos explorados por Oswald.  Memorial se inicia com a lista dos mortos na Ilíada, obedecendo a ordem cronológica dos óbitos como narrados no poema:  de Protesilau a Heitor. Essa lista difere do catálogo, contudo, pois traz apenas o nome dos guerreiros mortos, em caixa alta, cada um ocupando uma linha, à maneira dos monumentos em memória dos caídos em guerra, evocados no título mesmo do poema: memorial – Hahnemann (2014) aborda Memorial dessa perspectiva. Esse recurso põe em evidência o grande número de vidas perdidas: 213 (fora os soldados desconhecidos, por vezes lembrados no poema, mas não arrolados, como os “doze trácios anônimos mortos durante o sono/ antes que seus fantasmas tivessem tempo de reter seus nomes”, executados por Diomedes durante a Doloneia em Ilíada, X)[3]. São listados lado a lado gregos e troianos e, até mesmo, um animal, um cavalo que significativamente atuou em ambos os lados da guerra, o cavalo Pédaso, que Aquiles tomou de Eecião (Ilíada, XVI, 156 e 467), sem que se estabeleça qualquer distinção, numa prova eloquente de que a morte iguala todos.

O catálogo é algo diverso da lista, já que além do nome avança na descrição dos que morreram e das circunstâncias do óbito. A somatória das biografias constitui uma espécie de “catálogo dos mortos” (vide o “Catálogo das naus” em Ilíada II, na qual, aliás, a primeira morte, de Protesilau, está relatada).  Em Memorial, esses necrológios são interrompidos por símiles, outro elemento característico da dicção homérica. Na clássica definição de Redfield (1975, p. 186), as comparações são “janelas para o mundo que está além do campo de batalha”. Oswald explicita o elemento comparativo (like, as if), mas a conexão com as biografias pregressas não é clara ou imediata, a relação é mais frouxa do que aquela observada nos poemas homéricos, embora nem sempre o nexo esteja claro lá também. Em Memorial, parecem proporcionar uma pausa para reflexão no fluxo incessante das mortes, especialmente porque, à exceção dos símiles sequenciais que encerram o livro, eles sempre surgem duplicados, produzindo o efeito de um eco. O recurso à repetição, menos do que recriar uma característica da poesia homérica, de cunho oral (com suas expressões formulares recorrentes, por exemplo), acentua a pausa e oferece ao leitor um contraponto, um comentário, agora decididamente lírico, sobre as mortes.

Como exemplo, vejamos o primeiro símile recriado por Oswald e, na sequência, sua contraparte iliádica (Ilíada, XXI, 462-466, na tradução de Carlos Alberto Nunes):


Like leaves

Sometimes they light their green flames

And are fed by the earth

And sometimes it snuffs them out


Like leaves

Sometimes they light their green flames

And are fed by the earth

And sometimes it snuffs them out (Memorial).


Abalador, julgar-me-ias, por certo, privado de senso,

se eu contendesse contigo por causa de homens, apenas,

que semelhantes às folhas das árvores, ora se expandem

cheios de viço e louçãos, pelos frutos da terra nutridos,

ora da vida privados, sem brilho nenhum emurchecem. (Ilíada).


Embora sejam perceptíveis semelhanças entre as passagens, não há correspondência exata entre os símiles de Oswald e os de Homero – para uma tentativa de localizar as passagens homéricas que a inspiraram, remeto a Hahnemann (2014, p. 31-32). Talvez seja esclarecedor o comentário da autora no prefácio a seu livro em que declara:

Minhas ‘biografias’ são paráfrases do grego; meus símiles, traduções. Entretanto, minha abordagem da tradução é bastante irreverente. Eu trabalho bem colado ao grego, mas em vez de transpor as palavras para o inglês, eu me valho delas como fendas através das quais se vê o que Homero estava mirando. Eu escrevo através do grego, não a partir dele – almejando a transluscência mais do que a tradução. Eu penso que esse método, bem como meu descarte imprudente de sete oitavos do poema, é compatível com o espírito da poesia oral, que nunca era estável, mas estava sempre se adaptando a novos públicos, como se a linguagem, diferentemente da escrita, estivesse ainda viva e chutando.(OSWALD, 2011).[4]

 

Em mais de um momento ao longo de seu curto prefácio, Oswald propõe seu poema como uma tradução da Ilíada. Como entender essas afirmações? As biografias, como a autora mesma afirma, não são traduções em sentido estrito, mas por um lado retêm parte do conteúdo original e, por outro, é clara a intenção de preservar elementos (como o recurso ao catálogo e ao símile) e mesmo expressões-chave do original, como pode-se constatar dos exemplos examinados acima. Ao mesmo tempo, como Minchin (2015) observou, Memorial “suplementa as descrições mais econômicas de Homero” nos perfis dos heróis caídos e, de forma perturbadora, descontextualiza os símiles, de forma a torná-los unidades autônomas – a impressão, e essa é uma crítica que alguns resenhistas fizeram, é que seriam intercambiáveis sem fazer diferença para a apreensão do todo.

Trata-se, portanto, de uma tradução em sentido amplo, que, se não quer perder a Ilíada de vista, busca por meio de uma condensação radical de seus temas e elementos conferir-lhe um novo sentido, ou como ela define, “apresentar o poema como uma espécie de cemitério oral”[i] – a autora promove leituras do poema, que ela concebeu para ser ouvido, e gravou um cd, sendo que um exemplo de sua leitura pode ser encontrado na internet (https://www.youtube.com/watch?v=pvJBxie9Dlw). Ou ainda, ela afirma que "essa é uma tradução da atmosfera da Ilíada, não da sua história” (“This is a translation of the Iliad’s atmosphere, not its story.”).

Memorial: tradução (primeiras e última estrofe)

[Estrofes iniciais]

O primeiro a morrer foi PROTESILAU

Um homem lúcido que se lançou na escuridão

Com quarenta naus negras deixou para trás sua terra

Homens zarparam com ele daquelas colinas floridas

Onde a relva tudo regenera

Píraso Íton Ptéleo Ántron

Morreu em pleno ar pulando o primeiro para a praia

Deixou a casa meio-erguida

A esposa do lado de fora a arranhar a face

Podarco seu irmão menos dotado

Assumiu o comando mas isso já faz tempo

Jaz agora sob a terra negra há mais de mil anos

 

Como a voz do vento

Dá vazão às ondas

Uma nota longa cada vez mais alta

A água respira fundo

Como um tremor terrestre

Quando o vento oeste varre o campo

Ansiando e buscando

Nada a ser achado

Espigas de milho sacodem suas cabeças verdes

 

Como a voz do vento

Dá vazão às ondas

Uma nota longa cada vez mais alta

A água respira fundo

Como um tremor terrestre

Quando o vento oeste varre o campo

Ansiando e buscando

Nada a ser achado

Espigas de milho sacodem suas cabeças verdes

 

EQUEPOLO um guerreiro sem mácula

Sempre à frente de seus homens

Notável por seu seminal sangue-frio

Ao se esquivar das lanças

Morreu pelas mãos de Antíloco

Dá para ver o furo no elmo logo abaixo da crina

Onde a ponta da lâmina penetrou

E acertou sua testa

A escuridão derramou-se sobre seus olhos

 

ELEFENOR da Eubeia no comando de quarenta naus

Filho de Calcodonte nada se sabe de sua mãe

Morreu arrastando o corpo de Equepolo

Um naco de carne reluziu sob o escudo ao abaixar-se

Agenor feriu-o no nono ano de guerra

Seu longo cabelo caia sobre as costas

 

Como folhas

Às vezes acendem suas verdes chamas

E são nutridos pela terra

E às vezes ela os apaga

 

Como folhas

Às vezes acendem suas verdes chamas

E são nutridos pela terra

E às vezes ela os apaga

 

*****

[Última estrofe]

 

E Heitor morreu como um outro qualquer

Ele estava à frente dos troianos

Mas uma lança achou o mínimo retalho alvo

Entre a clavícula e a garganta

Precisamente ali onde a alma do homem se assenta

Esperando a boca se abrir

Ele sempre soube que ia acontecer

Ele que era tão confiante e ansioso

E costumava passar em casa ensurdecido pelas armas

De pé todo armado na porta de casa

Como um cara apressado em partir em sua motocicleta

Todas as mulheres o amavam

Sua esposa era Andrômaca

Um dia ele a olhou silente

Ele disse eu sei o que vai acontecer

E uma imagem fixou-se dele mesmo morto

E dela em Argos tecendo para alguma mulher estrangeira

Ele piscou e voltou ao trabalho

Heitor amou Andrômaca

Mas no fim ele deixou seu rosto se esvair de sua mente

Ele voltou para ela cego

Sem força sem expressão

Pedindo apenas para ser lavado e cremado

E seus ossos envolvidos em lençóis macios

E devolvido à terra

__________________________________________________________________________________________________________________________________________________

 

 
The first to die was PROTESILAUS

 

A focused man who hurried to darkness

 

With forty black ships leaving the land behind

 

Men sailed with him from those flower-lit cliffs

 

Where the grass gives growth to everything

 

Pyrasus Iton Pteleus Antron

 

He died in mid-air jumping to be the first ashore

 

There was his house half-built

 

His wife rushed out clawing her face

 

Podarcus his altogether less impressive brother

 

Took over command but that was long ago

 

He’s been in the black earth now for thousands of years

 

 

 

Like a wind-murmur

 

Begins a rumour of waves

 

One long note getting louder

 

The water breathes a deep sigh

 

Like a land-ripple

 

When the West wind runs through a field

 

Wishing and searching

 

Nothing to be found

 

The corn-stalks shake their green heads

 

 

 

Like a wind-murmur

 

Begins a rumour of waves

 

One long note getting louder

 

The water breathes a deep sigh

 

Like a land-ripple

 

When the West wind runs through a field

 

Wishing and searching

 

Nothing to be found

 

The corn-stalks shake their green heads

 

 

 

ECHEPOLUS a perfect fighter

 

Always ahead of his men

 

Known for his cold seed-like concentration

 

Moving out and out among the spears

 

Died at the hands of Antilochus

 

You can see the hole in the helmet just under the ridge

 

Where the point of the blade passed through

 

And stuck in his forehead

 

Letting the darkness leak down over his eyes

 

 

 

ELEPHENOR from Euboea in command of forty ships

 

Son of Chalcodon nothing is know of his mother

 

Died dragging the corpse of Echepolus

 

A little flash of flesh showing under the shield as he bent

 

Agenor stabbed him in the ninth year of the war

 

He wore his hair long at the back

 

 

 

Like leaves

 

Sometimes they light their green flames

 

And are fed by the earth

 

And sometimes it snuffs them out

 

 

 

Like leaves

 

Sometimes they light their green flames

 

And are fed by the earth

 

And sometimes it snuffs them out

 

 

 

 

 

REFERÊNCIAS

DOHERTY, Lilian. What’s Homer to us? Recent anglophone reception. In: FERNÁNDEZ, C.; NÁPOLI, J.; ZECCHIN DE FASANO, G. (eds.). [Una] nueva visión de la cultura griega antigua en el comienzo der tercer milenio: perspectivas y desaíios. La Plata: Editorial de la Universidad de La Plata, p. 149-162, 2018.

HAHNEMANN, Carolin. Book of paper, book of stone: an exploration od Alice Oswald’s Memorial. In: Arion. A Journal of Humanities and Classics, v. 22/1, p. 1-32, 2014.

 

  1. Ilíada. Tradução de Carlos Alberto Nunes. Rio de Janeiro: Ediouro, 2001.

 


MINCHIN, Elizabeth. “Translation” and transformation: Alice Oswald’s Excavation of the Iliad. In: Classical Receptions Journals, v. 7/2, p. 202-222, 2015.

OSWALD, Alice. Memorial. An excavation of the Iliad.  London: Faber and Faber, 2011.

[1] Adriane da Silva Duarte é professora associada de Língua e Literatura Grega da Universidade de São Paulo e bolsista de Produtividade em Pesquisa do CNPq. É autora de Cenas de reconhecimento na poesia grega (2012) e tradutora de Aristófanes e do Romance de Esopo (Esopo. Fábulas seguidas do Romance de Esopo. São Paulo: Editora 34, 2017).

[2] Oswald (2011): “Twelve anonymous Thracians were killed in their sleep/ Before their ghosts had time to keep hold of their names”.

[3] “My ‘biographies’ are paraphrases of the Greek, my similes are translations. However, my approach to translation is fairly irreverent. I work closely with the Greek, but instead of carrying the words over into English, I use them as openings through which to see what Homer was looking at. I write through the Greek, not from it – aiming for translucence rather than translation. I think this method, as well as my reckless dismissal of seven-eigths of the poem, is compatible with the spirit of oral poetry, which was never stable but always adapting itself to a new audience, as if language, unlike written language, was still alive and kicking.”

[4] Oswald (2011): “This translation presents the whole poem as a kind of oral cemetery – in the aftermath of the Trojan War, an attempt to remember people’s names and lives without the use of writing”.

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