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A dialética pacificadora enquanto modernidade em Guilherme de Almeida

Charles Gentil

 

 

1. O sentido conotativo e a teoria do conhecimento: empirismo

 

 

Nos livros Na cidade da névoa, Poesia vária – III Parte, “As chaves de ouro” (para onze sonetos que não foram escritos) –, Sóror Dolorosa e O festim, os substantivos “dia”, “corpo” e “pérola” fazem referência, respectivamente, ao fenômeno cíclico natural, à estrutura física humana e a uma pequena esfera formada nas conchas. Ou seja, o nome estabelece uma relação direta com o objeto da realidade a que se refere, portanto, esse é o sentido denotativo da coisa enunciada.

 

Tais objetos, uma vez que pertencem ao mundo físico, são passíveis de serem conhecidos por ao menos um dos cinco sentidos; o dia é um fenômeno observável; a pérola e o corpo, não só podem ser vistos, mas também tateados. Isto é, a experiência sensível torna o objeto cognoscível ao sujeito, denominando-se em teoria do conhecimento “empirismo” essa perspectiva filosófica que também foi a de John Locke, conforme o Ensaio acerca do entendimento humano.

 

Nessa obra, o referido autor combate o inatismo, ou seja, a vertente do pensamento filosófico que concebe a existência de princípios e ideias inatas enquanto presença de noções primárias, caracteres, inscritos na alma humana antes mesmo da experiência. De acordo com o filósofo inglês é da sensação e da reflexão que derivam todas as ideias, isto é, objetos do pensamento, pois,

 

 

 

De onde [a alma] apreende todas os matérias da razão e do conhecimento? A isso respondo, numa palavra, da experiência. Todo o nosso conhecimento está nela fundado, e dela deriva fundamentalmente o próprio conhecimento. Empregada tanto nos objetos sensíveis externos como nas operações internas de nossas mentes, que são por nós mesmos percebidas e refletidas.[i]

 

 

 

Portanto, para John Locke, a experiência é a matriz sobre a qual se funda não só o que a alma humana conhece, mas também o próprio conceito de conhecimento, tanto dos objetos sensíveis externos que são cognoscíveis pelo uso dos sentidos, quanto do conteúdo interno da mente, enquanto operações que são percebidas por meio da reflexão.

 

Sendo assim, Guilherme de Almeida, ao considerar os substantivos dia, corpo e pérola em seu sentido denotativo ou prosaico, à semelhança do filósofo inglês, adota a experiência como fonte de conhecimento do mundo, inicialmente, cognoscível pelos cinco sentidos. Tanto é assim que, no livro a Dança das horas, no poema “Harmonia Vermelha”, o eu lírico do poeta-pensador assim se exprime:

 

 

 

o teu beijo resume / todas as sensações dos meus sentidos. / A cor, o gosto, o tato, a música, o perfume e ainda se uma emoção estranha / – gosto de uma fruta, a luz de um poente – / chega a mim, não sei de onde, e bruscamente ganha / qualquer sentido meu, é a ti somente / que ouço, ou aspiro, ou provo, ou toco, ou vejo / ... / E acabo por pensar / que qualquer emoção vem de um teu beijo / que anda disperso no ar ...

 

 

 

Com isso, tem-se para o eu lírico que mesmo uma emoção, inicialmente estranha pelo fato de não ser identificável sua proveniência, quando lhe afeta, transfigura-se na presença sensorial de seu objeto amoroso, motivo pelo qual pensa, então, que toda emoção origina-se do beijo recebido; o contato físico dos lábios resume, por sua vez, todas as sensações dos sentidos.

 

Decorre daí que a emoção não é tida por inata, mas pensada em seu caráter empírico, pois, provém da experiência propiciada pelas sensações, de pelo menos algum dos sentidos: visão, audição, paladar, olfato ou tato.

 

Sendo assim, é com o sentido denotativo e, portanto, no âmbito da instância empírica, que se constitui o alicerce sobre o qual se funda, em Guilherme de Almeida, a estrutura da trajetória inicial do movimento dialético.

 

 

2. A instância metafórica como estado transitório

 

Nos livros Na cidade da névoa, Soror Dolorosa e O festim há o emprego, por Guilherme de Almeida, da metáfora como um momento do movimento dialético; isso significa dizer que, para o autor, o sentido figurado tem a importância de uma etapa transitória, cuja função consiste em, por um lado, dilatar o sentido original da palavra; por outro lado, inscrever-se, em decorrência desse alargamento semântico, no registro da moral católico-cristã, e enquanto elo de ligação, isto é, estado intermediário, irá proporcionar a manutenção do movimento na cadeia dialética, cujo horizonte é a inevitável ascensão e surgimento do advento do simbólico como destino.

 

Observe os versos “... e a lua é uma hóstia”, “meu corpo todo é como um círio” e “Eu também atirei numa taça de vinho a pérola de minha alma” e note que, de fato, as palavras lua, corpo e pérola agregam ao sentido denotativo original um outro, que é o figurado, e, com isso, da instância empírica alça-se a um patamar mais elevado.

 

Sendo assim, esse momento da cadeia ascensional da dialética cumpre a função de “libertar” as palavras da mera acepção prosaica, e, uma vez que as palavras são encantadas pelo horizonte de referências da moral católico-cristã, então, instaura-se, necessariamente, a próxima etapa da marcha dialética.

 

 

3. O sentido conotativo ou o simbólico como destino do movimento dialético

 

A partir da formulação de Oscar Wilde “I threw the pearl of my soul into a cup of wine”, em De Profundis, Guilherme de Almeida constrói o longo e interessante poema O festim, reiterando em diferentes momentos a ideia do indivíduo que lança a pérola de sua alma em um copo de vinho.

 

Nesse sentido, o eu lírico em O festim solidariza-se com Wilde, já no primeiro verso. Observe: “Eu também atirei numa taça de vinho a pérola de minha alma”. Com isso, tem-se que a ação do autor da obra De Profundis é reproduzida/repetida. Importante observar que o âmbito considerado, de início, é o do indivíduo e, portanto, a expressão de uma singularidade que reconhece, em si, o mesmo comportamento do outro, e daí se identifica com ele, ao invés de censurá-lo.

 

De qualquer maneira, o assentimento dado pelo eu lírico de Guilherme de Almeida não se restringe ao aspecto particular, pois, ao universalizar a ação, “Todos os homens atiram sua alma, como uma joia, num copo de vinho”, expõe uma problemática fundamental a ser considerada, ou seja, a da possibilidade da concretização inevitável de um ato, dito de outra maneira, o determinismo da ação.

 

Desta maneira: se “Todos os homens atiram sua alma, como uma joia, num copo de vinho”, isso resulta como ato de liberdade ou é produto de um determinismo escravizante?

 

Aliás, nos versos seguintes:

 

 

 

E, ao cair no seio leve desse vinho de fumaça,

pesadas de saudade do mar, as pérolas somem:

e em verdade vos digo que cada homem, para

achá-las, terá que esgotar sua taça.

 

 

 

Referindo-se às pérolas, que lançadas caem no fundo da taça de cada homem que as lança, o eu lírico embebe-se, então, de um discurso com teor litúrgico e, com isso, reforça a ideia do caráter determinista, não apenas da ação enquanto ato de livrar-se da pérola, mas também do resultado que implica recuperá-la. Note que:

 

 

 

e em verdade vos digo que cada homem, para

achá-las, terá que esgotar sua taça

 

 

 

O verbo “ter” é empregado, claramente, na condição de imperativo; uma obrigatoriedade que determina a reapropriação da pérola, mediante o compromisso de necessário esvaziamento da taça, sem o que sua reconquista não será efetivada.

 

Sendo assim, tanto mais importante é readquiri-la, quanto se sabe que pérola é, segundo interpreto, a metáfora que designa “alma”. Isto é, trata-se de uma busca por reapropriar-se de si mesmo, reencontrar-se consigo, após a ação que ensejou a própria perda. Com isso, o sentido denotativo da palavra pérola convertido em metáfora da alma adquire, então, dialeticamente, seu sentido conotativo para referir-se, agora, na instância simbólica ao tema da perdição e à busca pela salvação desejada.

 

No entanto, se para salvar-se – entenda-se “reencontro consigo” – existe uma uniformidade de conduta, já que todos devem consumir o vinho a fim de que, cada um, encontre no bojo da taça a preciosidade de sua alma; em relação à perdição, dá-se através de uma multiplicidade de fatores, mas que conduzem a um só caminho, o de que “todos têm que lançar a joia de sua alma dentro de um copo repleto de vinho”.

 

Surge, então, um problema: se a ação redentora só é possível através do consumo de vinho, isto não equivale a postular que entregar-se ao deus Dionísio/Baco é o único caminho para a salvação? O que, por sua vez, consiste em ter na reiteração do pecado a perspectiva reparadora.

 

Daí, se inevitavelmente “todos têm que lançar a joia de sua alma dentro de um copo repleto de vinho”, trata-se de determinar a imersão na perdição como a única via para salvar-se. Nesse sentido, pecado e reparo, embora termos opostos, não se encontram para Guilherme de Almeida, segundo minha análise interpretativa, em franca oposição. Isso porque sua dialética pacificadora, ao exprimir a dependência recíproca dos termos entre si, revela o caráter de complementaridade desses elementos aparentemente antitéticos, mas que, no fundo, não se excluem e sim, se relacionam em estreita e solidária harmonia. Tanto é assim que um não existe sem o outro, pois, se:

 

 

 

todos os homens atiram sua alma, como uma joia, num copo de vinho

 

 

 

Por outro lado, afirma:

 

 

 

e em verdade vos digo que cada homem, para

achá-las, terá que esgotar sua taça.

 

 

 

Logo, é em virtude de sua dialética que Guilherme de Almeida compreende a superação gradual da aparente oposição, entre entregar-se à luxúria e, portanto, à ação infracional do pecado – perdição da alma na medida em que há perda de si – pelo consumo do vinho, símbolo das festas pagãs de adoração a Dionísio/Baco, e a atitude reparadora que consiste no resgate da alma e, portanto, no reencontro consigo, mediante a ingestão do vinho considerado também como o sangue de Cristo para a remissão dos pecados.

 

Resulta, então, que aquilo que é pernicioso é, simultaneamente, benéfico. E apesar disso, o caráter contraditório, visto pela perspectiva de uma dialética pacificadora, é apenas aparente, isto é, fenômeno de superfície. Dito de outra maneira, o pecado é o veneno que proporciona, como antídoto, a salvação.

 

Neste ponto é preciso invocar a referência ao filósofo grego Sócrates, que foi sentenciado pelo tribunal ateniense à morte mediante a ingestão de cicuta (um veneno letal), como cumprimento da pena referente ao processo de acusação onde figurou como réu, pelo suposto crime de corromper a juventude e pela prática da impiedade.

 

De acordo com Platão, tendo sido condenado à morte, Sócrates se dirigiu assim aos juízes:

 

Também vós, juízes, deveis como eu ter esperança na morte e tomar consciência desta verdade, que nenhum mal pode acontecer a um homem de bem, nem em vida, nem depois de morrer, e que nunca os deuses se desinteressam da sua sorte. O que acaba de me acontecer não pode ser fruto do acaso; ao contrário, para mim é evidente que é mais vantajoso morrer agora e libertar-me assim dos cuidados da vida.

 

 

Portanto, a cicuta como símbolo que representa a morte é, na verdade, concebido antes como um benefício do que propriamente um prejuízo. Isso quer dizer que o antídoto, paradoxalmente, encontra-se no veneno ministrado, daí não haver oposição real, mas, sim, harmonia entre os opostos, conforme exprime, segundo minha exegese, a dialética pacificadora de Guilherme de Almeida, onde o pecado é expresso como a cicuta da alma, isto é, o veneno desta e que, no entanto, é o responsável pela sua salvação.

 

Com isso, de maneira pacífica, sem prejuízo a nenhuma das duas culturas, nem a pagã, nem a cristã, Guilherme de Almeida, utilizando, diga-se, de isonomia literária, adota a Justiça como princípio, ao harmonizar perspectivas culturais diferentes; acolhe ambas, o que proporciona a integração entre elas pela via da dialética, de modo que Sócrates e Cristo não se opõem, mas simbolizam, com igual valor, o tipo de homem que persegue um ideal.

 

 4. O mais moderno dentre os modernos

 

Se o modernismo designa o nome genérico dado a alguns movimentos artísticos e literários surgidos entre o fim do século XIX e o início do século XX, os quais buscaram examinar e desconstruir os sistemas estéticos da arte tradicional, então, ser moderno é um conceito que pode estar revestido do sentido de ser contemporâneo e inovador e, portanto, o que se opõe à tradição como, por exemplo, as rupturas vanguardistas do século XX no domínio das artes – a saber, cubismo e dadaísmo, entre outros.

 

Desconstrução; oposição à tradição; rupturas em nome de inovações – são, então, o sentido dado a “modernismo” e “ser moderno”. No entanto, deve-se perguntar: não há presunção em pressupor que é possível romper, de fato, com o passado? Não se rejeita em nome dessa presunção o fator histórico de que o que hoje é tradição antes foi revolucionário? E por fim, não se tem consciência literária de que o que hoje é inovador amanhã será obsoleto?

 

Dessa maneira, ser moderno equivale a sê-lo por um período histórico determinado, alimentando a presunção inconsciente de que é possível prescindir – no todo ou em parte – da tradição, na qual toda vanguarda irá, enfim, se converter.

 

Sendo assim, penso que Guilherme de Almeida, por meio de sua dialética pacificadora, que se materializa em seu virtuosismo, supera a dicotomia entre tradição e vanguarda e, com isso, inaugura uma modernidade dentro de outra, o que significa dizer que sua modernidade vai além da modernidade dos modernos, isso porque, ao invés de provocar rupturas, estimula a concórdia, por exemplo, entre as diferentes formas de composição poética, e pratica com igual virtuosismo versos livres, sonetos e haicais.

 

E enquanto o soneto já era considerado obsoleto, traz a lume a obra Camoniana, da qual, como exemplo, ofereço o soneto XVIII:

 

Alma que de meu corpo te apartaste.

corpo que de minh’alma te partiste.

e que dest’arte em dois me repartiste.

e numa só desdita a ambos juntaste!

 

Qual vida é igual à morte que inventaste?

Qual morte mais do que tal vida é triste?

Que humano ser tão desumano existe

que haja sua igualdade em tal contraste?

 

Ante a razão por que a razão cativa

no próprio cativeiro acha conforto,

e às vezes se abandona, outras se esquiva,

 

chego a quedar-me ante mim mesmo absorto,

alma sem corpo, que não sei se é viva,

corpo sem alma, que não sei se é morto.

 

 

Guilherme de Almeida ainda cultivou o haicai:

 

 

Filosofia

 

Lutar? Para quê?

De que vive a rosa? Em que

pensa? Faz o quê?

 

 

Também cultivou versos livres, dos quais cito aqui um fragmento, do livro A dança das horas:

 

 

E este contato voluptuoso

com tanta cousa evocativa

é tão sensual, tão delicioso

para minha alma sensitiva,

que espero, cheio de ansiedade,

cada momento em que te vais,

e chego mesmo a ter vontade

de que não voltes nunca mais!

 

 

Com isso, ao cultivar ao longo de toda a sua vida diferentes formas de composição, Guilherme de Almeida não restringe sua arte a um período histórico determinado, ao contrário, liga-a no presente, ao passado do qual reconhece ser tributária e projeta-a ao futuro imorredouro, calcado pela concórdia entre tradição e vanguarda, tendo, por isso, ocupado a posição do mais moderno dentre os modernos.

 

Esse aspecto diplomático do pensamento de Guilherme surge também em Cosmópolis, compilação de reportagens do poeta. Ao focalizar os núcleos estrangeiros em São Paulo – húngaros, japoneses, alemães, judeus etc. – diante da especificidade de cada grupo, não os relata com o estranhamento xenófobo, típico de um nacionalismo estreito, ao contrário, a diferença pode ser percebida como um componente considerado enriquecedor e característico de nossa cidade. Assim, tem-se um espanto diante do outro, diante da diversidade existente, mas um espanto xenófilo que, ao invés de rejeitar o estrangeiro, generosamente o acolhe, pois, compreende-se que: “A pátria é isso: onde a gente está” (Cosmópolis). Sendo assim, não há a oposição pura e simples entre cidadãos estrangeiros e autóctones. Ao contrário, a dialética pacificadora integra, harmoniosamente, ambos, como no Livro de Horas de Sóror Dolorosa integra sexo e castidade.

 

Esse acolhimento do outro é, portanto, expressão conciliadora da dialética pacificadora de Guilherme de Almeida. Tal procedimento dialético aplicado à vida, à fronteira nacional, inclusive aos limites de uma cidade como São Paulo, destitui-se de preconceitos, ódio ou aversões ao estrangeiro e constitui-se na amistosa elegância poética e legado de compreensão mútua entre os cidadãos de diferentes países. Chamamento intempestivo pela diversidade. Afirmação do multiculturalismo. Dialética pacificadora da cidade multirracial. O trabalho, para Guilherme de Almeida, é o que aproxima os homens, conforme é possível verificar neste trecho de Cosmópolis:

 

 

Resumo do mundo. Veja, pense:

– Lá, ali, por aí plantaram a sua vida de trabalho povos de toda a terra, antípodas pela civilização, ou antípodas pela raça, ou antípodas pelo acaso geográfico: amigos ou inimigos ou indiferentes todos. Todos. Entretanto, que harmonia, e que equilíbrio, e que igualdade! O grande milagre do trabalho. Harmonia, equilíbrio e igualdade feitos de diferenças.

 

 

Considerações finais

 

Ao longo de sua obra Guilherme de Almeida irá operar com diferentes pares de opostos: dia-noite, alma-corpo, castidade-instinto sexual, perdão-pecado, amor celeste-amor terreno, luzes-sombras, começo-fim, vida-morte, prazer-desprazer e geral-particular, entre outros.

 

No entanto, os elementos antitéticos não irão permanecer em discórdia, pois, através de uma dada trajetória será instaurada a harmonia, uma vez que o percurso dialético tem nesse fim o seu progresso inexorável. Nesse sentido, a evolução é ditada, primeiro, por uma instância denotativa do objeto, isto é, inicialmente, considerado em sua acepção prosaica que se alça a uma função metafórica; em seguida, atinge um patamar superior quando, após uma nova transmutação, ascende ao sentido conotativo, isto é, ao aspecto simbólico que, por fim, assume.

 

Esse percurso vitorioso, que através de um movimento ascensional transfigura o sentido denotativo do objeto em um sentido conotativo, isto é, que converte a acepção prosaica elevando-a ao patamar alegórico como grau superior e último de seu desenvolvimento, constitui a dinâmica intrínseca da dialética pacificadora operada por Guilherme de Almeida enquanto resolução do conflito, na medida em que a fusão dos termos opostos é a meta que visa conciliar o que até então era divergente.

 

Sendo assim, o simbólico que emerge como destino na poética de Guilherme de Almeida, de acordo com minha exegese, é construído conscientemente pelo autor. Este raciocínio fundamenta-se, no reconhecimento textual de igual procedimento, quando Guilherme de Almeida em distintos poemas adota, com rigor sistemático, o mesmo itinerário expositivo.

 

Conclui-se daí que o alegórico cumpre um caráter finalista, enquanto construto epistemológico erguido pelo poeta. Logo, segundo interpreto, o simbólico enquanto teleologia irá permitir a reflexão sobre a existência humana, sobretudo, em sua fugacidade, através de uma teoria do conhecimento fundada na experiência sensível, o que por sua vez revela que o empirismo é a filiação filosófica de Guilherme de Almeida, ao lado de nomes como John Locke.

 

Por fim, a dinâmica intrínseca da dialética pacificadora de Guilherme de Almeida o faz, tanto em seu percurso poético quanto em sua vida, reger-se pelo princípio de acolhimento do outro, o que determina a modernidade de seu pensamento, cuja marca é a conciliação e que lhe confere a posição do mais moderno dentre os modernos.

 


[i] Locke, John. Ensaio Acerca do Entendimento Humano. Livro II. As Ideias. Capítulo I As ideias em geral e sua origem. 2. Todas as ideias derivam da sensação ou reflexão. (Coleção Os Pensadores). São Paulo: Abril Cultural, s.d. p.165.

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